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ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA ACTIVA neste link
teste
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| Caderno prático |
Casas em madeira, casas mais humanas |
Constituem
a alternativa à construção tradicional. Quando a eficiência energética
está no centro da agenda planetária, as casas em madeira, aliadas às
energias alternativas, são uma opção responsável do ponto de vista
económico e ecológico.
| Ana Jorge / Casa Cláudia
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19
Out.
2009 |
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Uma casa em madeira
é muito mais saudável e acolhedora que qualquer outra erigida em betão.
Sendo um material orgânico e natural, absorve e expulsa a humidade,
regularizando a atmosfera. Os produtos utilizados no seu interior, como
o óleo de linhaça, são 100% naturais, contribuindo para a saúde dos
moradores. Em consequência, estas casas contribuem para a prevenção de
doenças reumáticas e das vias respiratórias, pois estabilizam a
humidade e purificam o ar. Sendo cálida e relaxante, a madeira também
ajuda a evitar as chamadas doenças da civilização, como o stresse, a
depressão ou a agressividade. Por ser um isolante térmico natural, a
temperatura no interior da habitação é estável, independentemente das
condições exteriores. A capacidade de absorção de calor é
significativamente menor que a do cimento e tijolo. A madeira
'respira', absorvendo ou devolvendo humidade ao interior da habitação,
mantendo os seus níveis em valores saudáveis, sem infiltrações nem
paredes húmidas. Na realidade, a madeira é um dos melhores isolantes
naturais que existem. Tanto assim, que é utilizada no revestimento
interno de caixas de distribuição eléctrica, em cabos de panelas e em
deques de piscinas.
Do espigueiro à catedral
Ao contrário da ideia corrente, não existem limitações à geometria
arquitectada, à textura das paredes, ao tipo de acabamentos, à dimensão
e ao estilo. Podem construir-se grandes catedrais, como a de Kiisa
(1764, Estónia), complexos hoteleiros semelhantes ao Hotel Montebello
(1940, Canadá), fascinantes templos, como o de Todaiji (1708, Japão) ou
réplicas de casas madeirenses e de antigos espigueiros (modelo
relançado pela Rusticasa em versão habitável). Países escandinavos,
Canadá, Alemanha, Japão, Polónia e regiões alpinas têm estado na linha
da frente.
Em Portugal, os preconceitos dissipam-se e a imagem das casas de
madeira está cada vez menos conotada com construções precárias. "A
madeira pode ter a mesma massa edificante da pedra", frisam os
arquitectos José Santos e Maria José Pato. "Porém, as nossas sensações
e reacções à sua densidade, conforto e perfume natural não têm
equiparação com qualquer outro tipo de construção." O rápido
crescimento de construções em madeira laminada em grandes edifícios, de
que é expoente máximo o Pavilhão da Utopia, onde foi usado pinho
nórdico, contribuíram para o prestígio deste material, pelo que
qualquer semelhança com os pavilhões escolares e desportivos, e
inclusive centros de saúde, que minaram a paisagem portuguesa nas
décadas de 60 e 70, é fruto de um grande equívoco.
Licenciamento camarário
Actualmente, as edificações em madeira são projectadas com sistemas
de desenho e fabrico assistidos por computador, sendo imprescindível o
licenciamento legal. Os projectos de arquitectura e especialidades têm
de ser sujeitos a aprovação camarária e tem de haver uma licença de
construção. Estima-se que 80% da população da Europa setentrional e
central, Japão, Oceania e América do Norte habite em casas de madeira.
Em Portugal, não existem dados estatísticos. De uma forma geral, os
responsáveis pelas empresas do sector consideram que este é um mercado
com futuro, focalizado sobretudo em segundas habitações.
A Rusticasa pioneira na introdução deste sistema construtivo na
Península Ibérica constrói cerca de 60 moradias por ano, todas elas com
áreas superiores ou iguais a 150m2. O turismo e a eco-habitação é um
filão com margem de manobra, razão pela qual vão surgindo novas
empresas. A mais recente é a Ecoimex, parceira da finlandesa Ikihirsi,
empresa que utiliza como matéria-prima o pinho nórdico da Lapónia. Além
da Finlândia, a Ikihirsi tem habitações em França, Alemanha, Grécia,
Rússia, Espanha, entre outros países. A "elevada poupança energética",
devido à baixa condutividade térmica e a "qualidade do produto
fornecido pelos finlandeses, com provas ancestrais nesta área", são as
mais-valias avançadas por António Parreira, fundador da Ecoimex.
Acabamentos e preços. As empresas começam também a apostar no
lançamento de empreendimentos imobiliários próprios. A Rusticasa e a
Casema fizeram-no, respectivamente, na aldeia do Arneiro, Torres
Vedras, e em Mira, Aveiro. No primeiro caso, os preços de referência
estão na ordem dos 60 mil euros (mais o preço do lote, na ordem dos 50
mil euros) para um T2 e 75 mil para um T3, dependendo das áreas e
acabamentos escolhidos.
Na urbanização de Mira, o valor total de um T3 atinge 160/190 mil
euros, mais uma vez dependendo do terreno e acabamentos. A generalidade
dos fabricantes disponibiliza uma vasta gama de modelos susceptíveis de
serem adaptados aos mais diversos locais, da praia à montanha, do campo
à cidade. O cliente pode escolher um modelo-tipo ou desenvolver o seu
próprio projecto. Caso opte pela segunda solução, é conveniente a
especificação das dimensões aproximadas, número de pisos, assoalhadas e
outros pormenores, como, por exemplo, se a cozinha é fechada ou
integrada na sala, revestimentos (tijoleira, mosaico, mármore ou
simplesmente madeira).
A montagem e prazos
Condição desejável é possuir um terreno, se possível
infra-estruturado, ou entregá-lo ao cuidado da empresa, numa operação
do género chave-na-mão. O custo do metro quadrado depende da densidade
e qualidade da madeira. As casas em troncos maciços são mais
dispendiosas, mas também mais próximas de todo o conforto que esta
propicia. O cedro-do-japão, o pinho e o abeto nórdicos, além das
madeiras exóticas, como a maçaranduba, a tatajuba ou a itaúba, são boas
opções. "No local da obra, os carpinteiros, obedecendo à planta, montam
a casa como se de um puzzle gigante se tratasse.
As paredes interiores são montadas ao mesmo tempo que as exteriores,
cruzando-se constantemente nas esquinas, tornando a estrutura
extremamente sólida. Os elementos estruturais do telhado permitem uma
montagem rápida e possibilitam qualquer tipo de cobertura: telha
tradicional de barro, terra com vegetação, ardósia", assim refere a
Rusticasa sobre a sua metodologia de construção. Já a Casema opta por
pranchas, também de madeira maciça, "encaixadas entre si através do
sistema macho-fêmea. Em qualquer dos casos, o prazo de execução é
sempre muito inferior ao de uma construção tradicional com o mesmo
projecto, pois oscila entre os três e os quatro meses.
PALAVRAS-CHAVE
Sismos
Devido às propriedades mecânicas da madeira e à técnica de montagem,
os troncos de madeira entrelaçados entre si funcionam como uma
estrutura solidária, robusta e consistente. As paredes interiores são
montadas em simultâneo com as paredes exteriores, tornando a construção
extremamente sólida e resistente aos abalos sísmicos e a ventos
ciclónicos.
Lareiras
Qualquer casa em madeira pode ter a sua lareira e respectiva
chaminé, ou salamandras e recuperadores de calor. Tal como podem ser
equipadas com sistemas de aquecimento central ou por tela radiante,
ficando a escolha ao critério do cliente. O ar condicionado é
dispensável.
Incêndios
A madeira arde a temperaturas relativamente baixas. No entanto, as
causas dos incêndios não se encontram nos materiais estruturais, sejam
eles madeira, cimento ou metal. Os incêndios têm normalmente origem na
instalação eléctrica ou de gás, nos aquecedores, nas cortinas... Em
caso de incêndio, a carbonização superficial da madeira, além de
dificultar a saída dos gases (que de resto não são tóxicos), dificulta
também a penetração do calor por ter uma condutividade térmica inferior
à da própria madeira, actuando como efeito auto-extinguível. A
propagação em profundidade do fogo no caso da madeira torna-se,
portanto, muito lenta.
Manutenção
O verniz, por ser transparente, permite preservar a aparência
natural da madeira. Para o exterior, deverá ser da melhor qualidade
possível. A cada dois ou três anos pode ser necessário novo
envernizamento. A velatura é mais aconselhada em paredes externas. É
durável, resistente à água e incorpora componentes preservadores da
madeira, existindo em diversas cores.
Bicho
As madeiras leves e macias, utilizadas no fabrico de compensados,
móveis, pequenos objectos, cofragens, etc., estão sujeitas ao ataque do
caruncho e outras maleitas. Já as madeiras nobres e maciças, utilizadas
nas zonas estruturais, como paredes, pilares, prumadas, vigamento do
telhado, parapeitos, de que são feitas as casas em madeira, são muito
resistentes ao ataque de microrganismos.
Apodrecimento
É praticamente impossível a reprodução, numa residência destas, das
condições ideais para o ataque de fungos, mesmo nas áreas molhadas,
como casas de banho e cozinha. De resto, a probabilidade de ocorrerem
infiltrações, tantas vezes causa de humidade, é a mesma que numa casa
de alvenaria. Ou seja, não depende do material de construção utilizado
e sim da correcta execução do telhado, do uso de telhas de boa
qualidade, da correcta aplicação da calhas e rufos, tal como acontece
em qualquer habitação.
Instalações
Instalações eléctricas e hidráulicas são feitas sob o forro (no caso
da eléctrica) e sobre as paredes, junto às colunas, sendo, neste caso,
recobertas com peças especiais de madeira que preservam a estética do
conjunto e escondem a parafernália de cabos. Os canos de águas e
esgoto, na sua maioria, passam sob o piso, o que permite fácil acesso
para manutenção e substituição.
Assaltos
As paredes de madeira são tão resistentes quanto as de outros
materiais. Se a preocupação está relacionada com a entrada de
indivíduos com objectivos criminosos, pode dizer-se que as dificuldades
ou facilidades são idênticas às de qualquer outro tipo de construção.
Janelas, portas e telhado são as vias de acesso normalmente utilizadas.
Nesse caso, tanto faz se a construção é de alvenaria ou de madeira.
Fonte: Rusticasa e Casema
A experiência de Matilde Lages, proprietária
Há 14 anos, Matilde e o marido investiram numa casa de madeira, em
Caminha, destinada a segunda habitação. Actualmente, é habitação
permanente da família.
CC: Já viveu num apartamento em Braga. Agora, numa casa de
madeira em Caminha. Quais são, no dia-a-dia, as grandes diferenças
sentidas entre a construção em alvenaria e a de madeira?
Matilde: Há grandes diferenças nos custos energéticos. No
apartamento tínhamos uma factura de electricidade elevadíssima, devido
ao aquecimento, sobretudo no inverno. Uma casa em madeira é muito mais
confortável. Respira-se de uma forma diferente, há um cheiro
fantástico, a nossa roupa cheira a madeira.
CC: É toda em madeira? De que tipo?
Matilde: Sim, excepto as fundações, a garagem subterrânea e a
lareira. A madeira é a criptoméria japónica, um cedro de origem
japonesa cultivado nos Açores.
CC: E a madeira não se torna monótona? Não vos apetece pintar as paredes?
Matilde: Nunca nos propusemos a isso. Seria estragar a ambiência da
madeira, de que tanto gostamos. Jogamos com outros aspectos da
decoração: estores, têxteis e acessórios diversos. Os nossos três
filhos cresceram numa casa de madeira, e adoram. É uma atracção, até
para os amigos deles. Quando a comprámos, há 14 anos, a ideia corrente
sobre as casas de madeira era péssima. Comparavam-nas a vulgares
prefabricados.
CC: Tiveram problemas com o licenciamento ou empréstimo bancário?
Matilde: Nenhuns. Os processos decorreram com a mesma normalidade,
quer com a Câmara quer com o banco, no nosso caso o Santander.
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